Amo-te mas…

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Apesar da já famosíssima “crise dos 7 anos”, a verdade é que a percentagem de casais que se separam nos primeiros dois anos de vida conjugal é bastante elevada.

Ao contrário do que se possa julgar, os motivos não estão relacionados com casos de adultério, nem revelações escandalosas de um passado obscuro que teria sido omitido, mas que vão desde a intromissão de familiares, (principalmente pais/sogros), que ainda não aceitam o facto de que vocês já são uma família, insistindo em não cortar esse cordão umbilical, passando pelos maus odores corporais como o suor e o hálito, (devido ao desleixo e à ausência de um cuidado higiénico que durante o tempo de namoro esteve sempre presente), até à incapacidade de se habituarem às rotinas um do outro.

Nós baixamos a tampa da sanita, eles deixam-na sempre levantada! Nós apertamos o tubo da pasta de dentes por baixo, eles é onde calha! A partilha da televisão é outro drama! Há sempre a hipótese de comprarem duas televisões, mas depois perde-se o romantismo, porque vai cada um para seu lado…

A verdade é que homens e mulheres são diferentes por natureza, não é defeito é feitio! E de facto, estes pequenos hábitos do dia-a-dia, podem-se tornar extremamente irritantes para ambos, ao ponto de levarem um casal a ponderar seriamente se escolheram a pessoa certa.

Na maioria dos casos não adianta mudar de esposo, nem de esposa, porque vai ter que começar do zero e reaprender a viver com outra pessoa, que também terá os seus aspectos de carácter e personalidade, que vão mexer com a sua área de conforto!

Muitos dizem: ” Ah eu já tentei ter uma conversa séria, mas depois ele diz que não é bem assim, depois eu nunca consigo acabar o meu raciocínio e às tantas estamos a discutir, sem que consigamos dizer um ao outro aquilo que realmente queríamos! Quando uma pessoa está enervada com outra, até uma anedota que essa pessoa conte mete nervos. Por isso, e ao contrário do que possa pensar, falarem um com o outro sobre mágoas e diferenças que metam mães, pais e sogras ao barulho é a pior decisão. Vão acabar aos gritos e a lavar roupa suja!

Se o casal se ama verdadeiramente, mas está a passar por uma fase difícil de adaptação à vida conjugal, primeiro é preciso interiorizarem que as pessoas não são descartáveis e que a quebra de laço matrimonial, mesmo quando é de comum acordo, trás sempre mágoas muito profundas para ambos. Se o fim de um namoro já é tão amargo, imaginem o fim de um casamento?

Por vezes as pessoas nem se dão conta do quanto estão a sofrer, por estarem de tal forma “anestesiadas”, que só após um tempo é que acordam para a sua nova realidade. Proponham-se escrever uma carta um ao outro! Cada um escreve tudo o que acha de bom e menos bom sobre a pessoa que escolheu para estar ao seu lado, desabafe por escrito que não está a saber lidar bem com a situação, na medida em que agora já não sai quando quer, tendo que dar satisfações de tudo o que faz, etc, mas também diga claramente o quanto ama aquela pessoa e que está pronto(a) a negociar cedências para que a vossa união resulte!

Todos os dias temos que tomar decisões, desde o que comemos, até ao que vamos vestir e o casamento não é excepção, as pessoas casam jovens, mas vão amadurecendo, envelhecendo, vão-se transformando, aprendendo a gostar de outras coisas e para que dê certo, é fundamental estar em constante negociação, acompanhando a evolução do outro, porque embora vivam juntos, continuam a ser dois seres individuais com personalidades distintas.

Cada pessoa precisa de sentir que é amada por alguém e pior que uma discussão, é o desprezo dentro do próprio lar! A pessoa chegar à sua própria casa e sentir que não é bem vinda! Acredito que a sugestão da carta possa funcionar, porque permite a ambos levarem os seus pontos de vista até ao fim, sem interrupções nem mal entendidos.Também não precisa ser uma lista de queixas, deve levar uns corações à mistura porque o objectivo é unir, não se tratando de modo algum, de uma estratégia para medir forças! Há pouco tempo uma amiga minha disse por graça: “Hoje em dia, a vida está de tal maneira, que ninguém quer casar! Já repararam que só os homossexuais é que querem casar? Mais ninguém quer! A vida está que não se pode e ninguém tem paciência para andar a lavar meias e a ouvir conversas de cordel!”

Lá dizia o outro: “Engatar é fácil, o pior é manter!”, e manter um casamento, nos dias que correm, é um acto de grande sabedoria e nobreza!

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32 Comentários

  • April 11, 2006 | Permalink | Reply

    Concordo completamente… Temos de saber ceder e respeitar para sermos respeitados e para incentivar a cedência dos outros… E a sugestão da carta é muito interessante… Nas cartas não gritamos e, como temos tempo para pensar no que estamos a escrever, acabarmos por não dizer tantas coisas sem pensar que iriam magoar quem amamos…
    Gostei muito deste post :) Beijinho**

  • GNM
    April 11, 2006 | Permalink | Reply

    Daniela, tens feito um excelente trabalho.
    Em pouco tempo criaste um revista feminina
    on line…
    Parabéns!

  • April 11, 2006 | Permalink | Reply

    Comentarei sem experiencia, pois nunca fui casado…mas até q ponto isso será diferente de um namoro?? Na verdade, em tudo o que diga respeito a relacionamentos (independentemente do género…amor, amizade, trabalho…) o segredo está sempre em respeitar os defeitos e virtudes do outro bem como o seu espaço de vida! Bjnhos

  • April 11, 2006 | Permalink | Reply

    Curioso…ainda há bocado pensei sobre esse assunto e surgiu-me a ideia da carta… :)

  • April 11, 2006 | Permalink | Reply

    é por isso que nao me caso..fonixxx

  • April 11, 2006 | Permalink | Reply

    Belo, obrigada !!

    : )

  • April 11, 2006 | Permalink | Reply

    oi, não estava conseguindo entrar aqui,bem legal viu, adorei, beijos e ótima semana

  • April 11, 2006 | Permalink | Reply

    Reaprender tambem faz parte da vida. Não gosto de sofás eternos…ehe, ehe, ehe!!!!! um CHUAC pelas sábias palavras aqui escritas!

  • Vinícius Factum
    April 11, 2006 | Permalink | Reply

    Daniela,

    Como sempre vc escreve coisas que nos fazem pensar. Acho que o bom humor é fundamental, assim como sempre procurar surpreender o outro. Se no começo era assim , porque não preservar, né?

    Lembrei de uma frase que gosto e que cabe bem aqui:
    “O pensamento cria, o desejo atrai e a fé realiza”.

    Bjs,

    Vinicius Factum
    Blog de um Cidadão

  • April 11, 2006 | Permalink | Reply

    Este bolg é simplesmente fantástico!!!!
    Vai ser minha fonte de inspiração para renovação da minha vida!
    Obrigada e Parabéns!

  • April 11, 2006 | Permalink | Reply

    Adorei a ideia da carta, o que eu creio que causa muitos dos divorcios, e o induvidualismo e tambem o facto da auto promocao das mulheres e, ha muitos homens que ainda se nao dao muito bem com isso.
    Bem haja pela visita ao meu sitio.

  • April 12, 2006 | Permalink | Reply

    Eu sou casada e concordo plenamente, ao principo é um pouco dificil, mas kuando ha amor, temos de nos habituar aos habitos do outro, é tudo completamente estranho, mas no meu caso foi diferente pk houve logo uma bébé, mas a verdade é que agora é tudo bastante bom, gostamos bastante um do outro, e tá claro que de vez enquando temos de ceder, pk para uma relação dar certo depende dos dois, temos de ceder, e ele de ceder tb…

    A ideia da carta está muito boa

    =)

    Bjs e bom trabalho Daniela.

  • April 12, 2006 | Permalink | Reply

    :) eu hoje faço 3 anos de casado! e que belos anos.

    beijinhos sôtora

  • April 12, 2006 | Permalink | Reply

    O mais importante de tudo, começa pelo respeito que cada um tem por si e pela outra pessoa. Pelo carinho, pela amizade, por todo aquele conjunto de sentimentos e atitudes, que fazem gerar o amor, em toda a sua plenitude.
    Porque amar, não é só uma condição física ou sexual. Está muito para além disso…

    Como sempre, excelente este texto!

    Um abraço carinhoso e voltarei para ler-te ;)

  • April 12, 2006 | Permalink | Reply

    Este espaço é lindissímo. A profundidade com que expressas os teus sentimentos mexeu imenso comigo. Adorei também a parte gráfica. Parabéns.

  • April 12, 2006 | Permalink | Reply

    É verdade, já vou fazer 2 anos de casado e todos os dias temos que ceder em algumas coisas e alimentar sempre a chama da paixão… se não a coisa vem toda a baixo…
    ;)

  • April 12, 2006 | Permalink | Reply

    olá Daniela…

    Já cá vim várias vezes e até gosto da diversidade dos temas e até do modo como são encarados na maioria das vezes… mas é uma pena que tudo o que se relacione com o “bicho homem” tu ou quem escreve por ti, seja demasiada “anti-homem”… é inacreditavel que encares o sexo oposto com tanto desprezo e até arrogancia…

    será que tens algum problema mal resolvido com algum??

    todos nós temos os nossos defeitos e virtudes e até dou “de barato” o facto da Mulher ser em muitos aspectos da nossa vivencia terrana superior ao Homem, mas com franqueza, nem a Mulher faz tudo “certinho e direitinho”, nem o Homem é uma “coisinha má” que tem que se aturar porque….existe…

    eu até sou dos que, como Homem e no ambito do casamento faço quase tudo o que normalmente a Mulher faz e mais, até nem deixo a minha mulher fazer determinadas tarefas “femininas” porque estenuantes, como por exemplo “passar a ferro” mas convenhamos, mesmo que normalmente não o façam, não podemos afirmar que só o homem é que “deixa a tampa da santita no ar”, ou só ele “é que aperta o tubo da pasta de dentes em cima”….
    Falo-te por exeperiencia propria de quem já vai com duas viagens matrimoniais uma de 10 e outra de 7 anos e que sabe como é que as coisas funcionam…
    …e que não é machão nem tendencioso….

    calma contigo…miuda… porque os temas são interessantes e o fundamentalismo aqui como noutras áreas nunca é a melhor escolha para abordá-los

    …vocês gostam tanto de nós como nós gostamos de vocês e é por sermos diferentes que nos atraímos e não o inverso… cultivemos então esse aspecto e não queiramos que o “savoir faire” de cada um dos polos da sexualidade se confunda… seria castrastófico… e até digo mais, é uma tendencia que se está a verificar especialmente na Mulher… com muita pena minha, já que, perdendo a sua identidade a Mulher fica “demasiado Homem” para os meus gostos…. mas posso sempre estar enganado….

    beijoka

  • April 12, 2006 | Permalink | Reply

    Dra. Daniela,

    Graças a Deus, este ano fazemos 19 anos de casados e somos muito felizes…Respeito, amor, confiança e amizade são elementos fundamentais.

    Boa Páscoa!

  • April 12, 2006 | Permalink | Reply

    Pois ..eu já vou no 14º ano, e posso atestar que tudo o que dizes é absolutamente verdade. Os meus primeiros 2 anos de casada foram díficeis, para já porque sou filha única e estava pouco habituada a partilhar os meus espaços com outra pessoa.(Há que dizer que conheço o meu marido desde os 14 anos… )Como diz o interlocutor Milton aqui mesmo acima..Respeito, amor, amizade, confiança… e assomos de paixão de quando em vez, são fundamentais para manter uma relação!
    As pessoas muitas vezes confundem o estado de paixão com o Amor maturo que se estabelece num casamento. Não se consegue estar apaixonado durante muito tempo (até porque ficariamos doentes com tanta hormona em ebulição)…mas amar é possivel, garanto-vos.
    Para isto resultar há alturas em que se aviva a tal paixão!!!
    Beijocas Doces e amêndoas!!!

  • April 12, 2006 | Permalink | Reply

    Olá, Dani!

    Passei por isso…Hoje em dia as pessoas não querem parar e pensar no relacionamento…Essa cride do segundo ano, é normal, pois acaba aquele encanto e já é aprte da responsabilidade…então , quando se é novo, não se pensa em responsabilidades, e isso parece um monstro na relação.
    Percebo que quanto mais adulto é maior a chance de dar certo…acredito que quanto mais conversa, entendimento, melhor é a relação e mais durável ela fica.

    Um beijo

  • April 12, 2006 | Permalink | Reply

    …ah, sem contar nas afinidades, para não enjoar da pessoas rápido, e não ter a quela sensação de que fez algo errado, e se arrepender

  • April 12, 2006 | Permalink | Reply

    Xi, há quanto tempo lá vão os 7 anos.. deixa-me recordar, hum, é verdade senti essa crise mas felizmente foi ultrapassada… Ups ainda bem. Passei para desejar uma Santa Páscoa, que a luz do Cristo ressuscitado ilumine a tua vida. Bjhs

  • April 12, 2006 | Permalink | Reply

    olá :o )
    fiquei completamente parva com o teu blog, tá excelente, lindo mesmo :o )
    bjinho

  • April 12, 2006 | Permalink | Reply

    Adorei ler tudo isto… Vou-me casar no dia 9 de Setembro e muito do que li sao os meus medos…

  • April 12, 2006 | Permalink | Reply

    realmente não deve ser fácil. As vezes o namoro se torna tão complicado que ficamos imaginando como seria se estivessemos casados… mas o que uni ainda é o amor, apesar de hoje as pessoas casarem por varios motivos,mas poucas casam por amor!!!

    beijinho!

  • April 14, 2006 | Permalink | Reply

    Parabéns pelo texto que está magnífico!

  • April 14, 2006 | Permalink | Reply

    Daniela, é uma honra para mim tê-la como leitora do meu blog. Sobre o que você escreveu, acho que o x da questão é um só: amor. Quem ama, aceita. Sei que parece idealismo de conto de fadas, mas é como eu vejo. Eu poderia discorrer longamente sobre isso, mas já escrevi tudo o que penso em um texto do meu blog. O link fornecido leva direto ao texto, intitulado “O fim do sentimento”.

  • April 16, 2006 | Permalink | Reply

    Gostei muito do ponto de vista do seu post! A sugestão da carta é excelente, pois evita discussões desnecessárias e extressantes que não levam a nada, ou melhor, levam a mais discórdias, a mais ofensas e, consequentemente, levam a um grande desgaste do casamento. Um grande beijo, Jane

  • April 22, 2006 | Permalink | Reply

    Não sei qual é o segredo para uma relação duradoura e saudável mas acredito que é difícil mantê-la, quer seja um casamento, um namoro ou uma união de facto.
    Acima de tudo, acho que cada uma das pessoas da relação deve aprender a deixar de parte algum individualismo – se não houver cedências, é muito difícil a harmonia (que não significa perda de traços de personalidade ou anulação pessoal).
    Agora, é preciso realmente pensar sobre o relacionamento e tentar perceber o que está bem e o que está errado. Acho que só esse facto ajuda em grande parte a evitar que, por exemplo, as duas pessoas cheguem ao ponto de se ignorar em casa.

    PS. Gostei muito do blog.

  • Marcos
    May 14, 2006 | Permalink | Reply

    Ninguem quer casar com uma vagabunda que transou com mais de 10 homens, certo?

  • dany
    May 30, 2009 | Permalink | Reply

    parabéns pelo seu trabalho esta magnifíco…

  • George
    July 17, 2009 | Permalink | Reply

    é necessário que todos nós tenhamos paciência e doçura uns com os outros

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