Já foi há uns tempos que vi na televisão, uma reportagem acerca dos sem-abrigo de Lisboa. O repórter passou um dia com um mendigo que lhe serviu de guia e lhe mostrou a capital portuguesa, numa perspectiva diferente.
Foi conduzido por entre ruas e becos recônditos, visitou barracas e outras habitações improvisadas. Recolheu testemunhos de quem já teve qualidade de vida e perdeu tudo…
As imagens da reportagem iam sendo alternadas com pensamentos e máximas de gente conhecida, para nos levarem a reflectir e pensar um pouco mais no nosso semelhante.
A certa altura, o repórter perguntou ao mendigo que o acompanhava como eram as suas refeições. Uma vez que não tinha dinheiro e afirmava não roubar ninguém, nem nunca ter roubado, a curiosidade do jornalista era mais que natural. A resposta do sem-abrigo foi sublime: “Como bolos. Tenho dias que como seis a sete bolos!” – fez-se um momento de pausa que foi interrompido pelo balbuciar incrédulo do jornalista: “Bolos!?”
Foi então que o mendigo fez um apelo que me obrigou a reflectir na atitude que todos temos para quem nos estende a mão e o apelo foi este:”… aliás, quero aproveitar a oportunidade para pedir aos portugueses que não me ofereçam só bolos! De vez em quando um pãozinho também sabia bem! Como os bolos porque tenho fome, mas já nem os posso ver!”
Nunca tinha pensado nisto mas realmente, sempre que alguém nos pede dinheiro a tendência é responder com a deixa do costume: “Se quiseres ofereço-te um bolo, dinheiro não te dou!” – pois o homem lá vai comendo os bolos mas volta e meia, bem que podÃamos oferecer um pãozinho que até nem é mais caro e é muito mais benéfico para a saúde! É que uma pessoa, lá por ser pobre, não tem que levar com um coma de açúcar!



























