Atoalhados

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É daquelas espécies em vias de extinção. Já ninguém faz gala em comprar um conjunto de tolhas de banho bordadas, personalizadas, com pendentes e rendas, a condizerem com a forra do tampo da sanita (por norma acetinado e com um folhinho) que remata o toque de classe do faustoso cortinado de banheira que envergonha qualquer papel de parede! Mas lindo, lindo, lindo, são as argolas do cortinado forradas a tecido! É lindo! Ou mesmo os chinelinhos de quarto serem feitos a partir das sobras do tecido usado para a forra do tampo de sanita!!!

Não menos importante, são os atoalhados de mesa, cujos guardanapos são tão trabalhados que acabamos por deixá-los de parte e recorrer na mesma aos de papel. Mas as toalha é que dão gosto! Costumam ser três: Uma lisa, outra de renda por cima e uma terceira igual à lisa (a primeira) para fazer de base à cristaleira. À refeição estende-se uma toalha plástica por cima destas que é para não sujar!

Os naperons dos louceiros são iguais à toalha de renda e as cortinas da cozinha são aos quadradinhos (como nas pizarias) e com muitos folhinhos…

Os panos de cozinha levam todos uma rendinha à volta, a luvas e as pegas têm de ser iguais, de preferência do mesmo tom da primeira toalha e por fim, não nos podemos esquecer das camilhas! Aquelas mesas redondas que tapam os cantos mais encardidos da casa e escondem os fios eléctricos por baixo das imponentes toalhas que aguentam, anos a fio, uma quantidade exorbitante de molduras, castiçais e bibelôs (outro monstro sagrado da decoração).

Se estiverem a pensar oferecer-me alguma coisa, ofereçam-me chocolates, livros, um postal simpático, mas por favor, não me ofereçam atoalhados!

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