E não me chamaram a mim? TÃnhamos tanto para conversar…
Gostava muito de lhe ter mostrado uma fotografia do sótão da minha casa, para ele ver como uma famÃlia é forçada a empilhar uma vida por causa das polÃticas educativas e a circular pelo paÃs, apenas com o necessário. Sim, tivemos que arrendar a nossa casa, para podermos arrendar outra na vila onde consegui contratação. E agora aqui estamos, à espera das listas, para ver o que nos aguarda… E tive “Muito Bom” como nota final de avaliação! Se valesse alguma coisa…
Estas mudanças podem acontecer mais que uma vez no mesmo ano lectivo, obrigando-nos a viajar para sÃtios completamente distintos do paÃs e a procurar casa por lá, e a pagar os dois meses de renda com antecedência… citando o Herman José: “São resmas, resmas de casos assim!”
Conhecem aquelas burocracias que enervam toda a gente? Os professores têm que passar por elas vezes e vezes sem conta…
Importa sublinhar que os professores não recebem subsÃdio de transporte, embora sejam colocados aos 100km de casa… ou mais! Por acaso também gostava de ter levado a essa conferência os recibos do combustÃvel e portagens, só para o Sr. 1.º Ministro ter uma ideia do que se passa na vida real.
No ano passado, uma colega minha gastou cerca de 3500,00€ de Leiria a Mafra e não foi pelo ano lectivo todo porque teve cinco meses de licença de maternidade, já para não falar na alimentação e outras coisas. Feitas as contas, disse-me ela, pagou para trabalhar!
Pelo menos, antes deste governo, ainda que contratada, ficava sempre perto de casa, ou pelo menos a uma distância aceitável. Nunca me senti tão descartável e tão pouco reconhecida na minha profissão como agora.
Mas que estou eu para aqui a dizer, afinal os filhos são só crianças! Má sou eu que não abdico das minhas, não é? Bem que me podia divorciar, deixar as meninas com o pai, fazer um voto de castidade e servir o Ministério da Educação!
A notÃcia do debate está aqui.
Mas o que tem mesmo graça é a notÃcia que saiu no Publico.pt cuja headline é: “Sócrates quer ver se é verdade se dizem mal dele na blogoesfera”. Ora bem, como é que eu hei-de dizer isto de um modo delicadinho… O povo costuma dizer a quem não conhece: “Porque é que não hei-de gostar de si, se nunca me fez mal?”… que dizer deste governo?
Não é de si que não gosto, Sr. 1.º Ministro, nem é de si que digo mal, não o conheço! É das estratégias que o seu governo tem adoptado para gerir o paÃs. De repente, parece que o descontentamento dos portugueses é para ignorar e a liberdade de o expressar, uma atitude a ponderar!
Mas já agora, vamos analisar a situação com algum pragmatismo: Se mentes inteligentes produzem decisões inteligentes, diga-nos o Sr. 1º Ministro como adjectivar as mentes que têm tomado as decisões que arruinaram o paÃs?




























