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Disciplina

Portugal_web.jpgCada vez mais me parece que estamos a entrar num exagero de “tolerância” perante os nossos filhos, alunos, crianças em geral. Eles gritam, dizem asneiras, ofendem os pais…

Como professora posso testemunhar como muitas vezes os filhos deixam mal os pais! Assim como vão para casa dizer mal dos professores, também usam e abusam de situações familiares de conflito e até dramáticas, para nos manipularem!

Se alguns encarregados de educação sonhassem as coisas que os filhos dizem a respeito deles, até tremiam!!! E o pior é que muitas vezes são mentiras! Algumas são intencionais e outras são apenas más interpretações de alguma conversa que ouviram entre portas e travessas, mas que não deixam de colocar aquele agregado numa situação constrangedora.

E se me custa ver uma criança pequena a fazer birras em público, ainda me custa mais ver adolescentes mal formados a gritarem até com os avós!

As crianças ainda vão tendo desculpa, na medida em que as birras fazem parte do processo de desenvolvimento e cabe aos encarregados de educação controlarem essa expressão de egoísmo dos mais pequeninos.

Agora, quando vejo um jovem com 16 ou 17 anos a exigir que a mamã lhe faça tudo e a mandar vir porque a t-shirt azul não está passada a ferro, dá logo vontade de perguntar ao menino se por acaso é aleijadinho das mãos?! Ele que a passe! Ao contrário do que possa parecer à primeira vista, as crianças gostam de regras.

As rotinas e a disciplina são um porto de abrigo, por serem sinónimo de estabilidade.

Todas as crianças gostam daquele momento em que os pais exigem que comam à mesa, em família. Todas as crianças gostam que lhes seja exigida uma tarefa doméstica, mesmo que refilem na altura, mas na verdade sentem-se úteis e até costumam pedir a apreciação dos mais velhos quando a terminam: “Fui eu que limpei o pó, está bonito?”. Depois cabe aos pais proporcionarem um ambiente agradável de convívio durante a refeição!

Também é importante que afirmem com convicção que os móveis estão muito bonitos e que elas fizeram um bom trabalho!

Penso que já disse isto uma vez, mas volto a repetir: Crianças malcriadas, são crianças infelizes. Nunca conheci uma criança malcriada que fosse feliz e se a felicidade de uma criança custa alguns castigos, algumas contrariedades e até alguma firmeza, penso que vale a pena pagar o preço, porque não há nada mais importante que a construção do carácter de um ser humano!

Para bem, ou para mal, os nossos filhos vão entrar nas histórias de vida de muitas pessoas e cabe-nos a nós garantir que lhes oferecemos as armas certas para não só saírem ilesos, como também para deixarem sempre um doce perfume nas memórias de cada pessoa que se cruzar com eles.

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