Doença Bipolar
De Daniela Mann on Dez 17, 2006 in Saúde

Costumo designar esta doença e outras do género como: feridas da alma. Com tanto destaque que se dá a outras doenças igualmente graves e merecedoras de divulgação e empenhamento, muitas vezes tanto estas como os seus pacientes ficam esquecidos e pior que isso, confundidos!
Sim confundidos com gente mimada, manipuladora, má ou pior que tudo, malucos! É fácil entender a tosse, uma ferida aberta, uma nódoa negra, uma perna partida…
É fácil porque se vê e como está a descoberto torna-se evidente e inegável, logo, aquela pessoa não está a mentir, não é piegas nem fiteira, está mesmo doente e merece o nosso carinho e compreensão. Porém, não é assim tão fácil entender uma tristeza constante sem explicação aparente, uma fadiga crónica que até parece preguiça, irritabilidade, suspeita, desmazelo e desinteresse… Assim como os pulmões inflamam, a garganta inflama, outros órgãos que inflamam e infectam, o sistema nervoso também pode “inflamar”, dar o berro, curto-circuito pelos mais diversos factores. Uns genéticos, outros exteriores, como o stress, a pressão profissional, desgostos, perdas, fracasso, etc.
A grande injustiça destas “feridas da alma” é que ao contrário das outras doenças que merecem a compaixão de quem rodeia o paciente, estas são uma espécie de sentença. Uma vez diagnosticadas nunca mais param de ferir, e porquê? Porque muitas pessoas ainda não estão esclarecidas e tratam o depressivo, o doente bipolar, o que passou por dois ou três esgotamentos, como alguém que não merece muito crédito, porque até o médico já confirmou que “endoideceu”
Hoje apetece-me falar um bocadinho da doença Bipolar. Tradicionalmente designada por Doença Maníaco-Depressiva, é uma doença psiquiátrica caracterizada por variações acentuadas do humor, com crises repetidas de depressão e mania, podendo verificar-se algumas crises mistas. Qualquer dos dois tipos de crise podem predominar numa mesma pessoa, sendo a sua frequência bastante variável. As crises podem ser graves, moderadas ou leves. As alterações de humor, num sentido ou noutro, têm importante repercussão nas sensações, nas emoções, nas ideias e no comportamento da pessoa, com uma perda importante da saúde e da autonomia da personalidade. Cerca de 1% da população padece desta doença. Após cada crise a pessoa volta ao normal, mas como durante as crises causou alguns transtornos naqueles que a rodeiam, a adaptação torna-se cada vez mais difícil, sendo portanto, uma situação de “ciclo vicioso”.
MANIA
O principal sintoma de “MANIA” é um estado de humor elevado e expansivo, eufórico ou irritável. Nas fases iniciais da crise a pessoa pode sentir-se mais alegre, sociável, activa, faladora, auto-confiante, inteligente e criativa. Com a elevação progressiva do humor e a aceleração psíquica podem surgir alguns ou todos os seguintes sintomas:
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Irritabilidade extrema; a pessoa torna-se exigente e zanga-se quando os outros não acatam os seus desejos e vontades;
Alterações emocionais súbitas e imprevisíveis, os pensamentos aceleram-se, a fala é muito rápida, com mudanças frequentes de assunto;
Reacção excessiva a estímulos, interpretação errada de acontecimentos, irritação com pequenas coisas, levando a mal comentários banais;
Aumento de interesse em diversas actividades, despesas excessivas, dívidas e ofertas exageradas;
Grandiosidade, aumento do amor próprio. A pessoa pode sentir-se melhor e mais poderosa do que toda a gente; -Energia excessiva, possibilitando uma hiperactividade ininterrupta;
Diminuição da necessidade de dormir;
Aumento do desejo sexual, comportamento desinibido com escolhas inadequadas;
Incapacidade em reconhecer a doença, tendência a recusar o tratamento e a culpar os outros pelo que corre mal;
Perda da noção da realidade, ideias estranhas (delírios) e «vozes»;
Abuso de álcool e de substâncias.
DEPRESSÃO
O principal sintoma é um estado de humor de tristeza e desespero. Em função da gravidade da depressão, podem sentir-se alguns ou muitos dos seguintes sintomas:
Preocupação com fracassos ou incapacidades e perda da auto-estima. Pode ficar-se obcecado com pensamentos negativos, sem conseguir afastá-los;
Sentimentos de inutilidade, desespero e culpa excessiva;
Pensamento lento, esquecimento, dificuldade de concentração e em tomar decisões;
Perda de interesse pelo trabalho, pelos hobbies e pelas pessoas, incluindo os familiares e amigos;
Preocupação excessiva com queixas físicas;
Agitação, inquietação, sem conseguir estar sossegado; ou perda de energia, cansaço, inacção total;
Alterações do apetite e do peso;
Alterações do sono: insónia ou sono a mais;
Diminuição do desejo sexual;
Choro fácil ou vontade de chorar sem ser capaz;
Ideias de morte e de suicídio; tentativas de suicídio;
Uso excessivo de bebidas alcoólicas ou de outras substâncias;
Perda de noção de realidade, ideias estranhas (delírios) e «vozes» com conteúdo negativo e depreciativo.
A ciência não tem uma cura definitiva, apenas medicação para ir controlando a doença, mas, se quem rodeia o paciente tiver a capacidade de quebrar o tal “ciclo vicioso” e após cada crise não mandar à cara da pessoa tudo o que ela fez e disse, é muito provável que com o passar do tempo a situação se atenue. Até porque muitas vezes estas pessoas é que são as responsáveis por abrir feridas e desenterrar o que já estava morto, por causa da sua impaciência, intolerância e preconceito, e, se não estão doentes têm obrigação de estar à altura!
O melhor desinfectante para as feridas da alma, é sem dúvida o amor, (não descurando a medicação, como é óbvio e se necessário for, uns meses de repouso numa clínica).
