E para os Profs Não vai Nada Nada Nada…

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Comecei bem o ano de 2008. Fui abençoada com uma menina linda e com uma Pós-Graduação. A minha filha mais velha também estava e está bem de saúde e tudo fazia prever uma ano pacífico.

Uma semana após o nascimento da minha filha fui internada de urgência, tive mesmo que ir de ambulância para Coimbra porque desconfiavam que eu tinha um coágulo nos pulmões. As dores eram mais que muitas e estive mesmo a “patinar” durante a viagem, até que após uma segunda sessão de exames, ressonâncias, tacs, horas numa maca num corredor mal cheiroso e sei lá mais o quê, chegaram à feliz conclusão que tudo não teria passado de um susto e que o que eu tinha era uma pequeno derrame interno que me causava essas dores, de cada vez que respirava fundo. Tudo passou.

Duas semanas depois tive que fazer o exame de condução pela 3.ª para não perder a licença. Da primeira fui altamente burlada e o examinador “que se intitula engenheiro, talvez de obras feitas”, teve a pouca vergonha de me dizer que eu não tinha nada de ir para lá grávida. Da segunda vez foi justo. Pisei uma raia. Sentia-me bastante nervosa por causa do dinheiro que estava em jogo. Da terceira vez o meu exame demorou 1 minuto se tanto! Entrei (em 2.ª claro) numa rotunda vazia. Devia ir a 20, ou 30km por hora e fui mandada encostar por excesso de velocidade.

2000 euros é quanto devo para não ter a carta! De salientar que estes dois últimos exames foram após o nascimento da minha filha, sendo que para o segundo até fui de faixa pós-parto.

Depois desta “novela” passei por 3 escolas: uma no  sul do país e duas no centro, porém, com uma diferença de cerca de 100km entre elas.

Na segurança social não queriam que eu gozasse licença de maternidade porque o governo desvinculou os contratados da caixa geral de aposentações, logo, todos estes anos de descontos é como se não existissem. De repente voltámos à estaca zero perante a segurança social e numa das escolas não recebi licença de maternidade. Aliás, nem da escola, nem da segurança social. Aqui até me disserem, e passo a citar: “Ó filha a vida é injusta, vá trabalhar porque não tem direito nem a baixa!” – este episódio aconteceu em simultâneo com o segundo exame de condução, tinha a menina 15 dias.

Este ano lectivo fui parar a outra escola que fica a cerca de 100 km da minha casa. Arrendámos um apartamento dentro das nossas possibilidades e estamos a pagar duas casas. Filhas e marido não podem pensar em ter vida, a menos que vivam como se eu não existisse, ou fosse emigrante que manda o cheque ao fim do mês e os vê nas férias.

Este Natal nem consegui vir ao blog porque me sinto quebrada. Não escrevo estas coisas para me fazer de vítima porque detesto o histerismo barato,mas também não suporto aquela ideia estúpida que se instalou acerca dos professores que “agora é que vão andar na linha” e tal…

Será que não há quem pense num destacamento para professores que tenham filhos no Ensino Básico, de modo a que estes possam ter alguma estabilidade? E já agora, os professores contratados também têm filhos!

Estou deitada, sem grande ânimo para me levantar. As aulas começam para a semana e que motivação tenho eu, sabendo que o meu salário não só não trás qualquer conforto à minha família, como a minha profissão ainda os torna mais infelizes?

Que hei-de fazer se não tenho habilitações para outra coisa? Juntar-me às centenas de professores que estão nas caixas dos supermercados a ganhar o salário mínimo e a serem humilhados? Porcaria de país que se contenta com a mediocridade e acha muito bem feita quando as pessoas que estudaram e se esforçaram por oferecer aos seus um futuro melhor são humilhadas!

Apetece-me ir embora. Estou farta de meias palavras, corrupção, até de “pseudo amigos” aqui do amar-ela a quem dei protagonismo a troco de nada, sem cobrar um cêntimo que fosse, para lhes fazer propaganda a sessões de autógrafos, livros, pedidos de ajuda… pessoas que nunca conheci pessoalmente, mas que sempre puderam contar com a minha ajuda para lançarem os seus projectos e que depois, nas minhas costas, venho a descobrir noutros blogs as coisas horriveis que disseram a meu respeito e até, a corrente de e-mails que fizeram passar pelo país a propósito de um post que escrevi que não está de acordo com o senso comum, mas que é a minha opinião, escrita na minha casa virtual e que pode ser discordada por todos que com isso posso eu bem, agora, ingratidão e falsidade é que não tolero. A esses, até agradeço que não me apareçam mais por aqui!

Comecei o ano um pouco amarga, porque me sinto exausta, muito exausta, mas também sei quem é meu amigo e com quem posso contar.

Sou a Daniela Mann, e a Daniela Mann é uma pessoa de carne e osso, não é uma aglomerado de textos. E como lá diz o ditado: “Quem não se sente, não é filho de boa gente”!

Peço desculpa aos que mereciam uma palavra minha nesta quadra festiva e que não a receberam, mas estive de cama, sem coragem de olhar para o computador. Estou a ver se me encho de forças para viajar outra vez, durante os próximos meses, com toda a trabalheira que isso implica.

A todos os que se têm lembrado de mim, muito, mas mesmo muito obrigada. A todos os colegas de profissão desejo-vos muita força e muita coragem e muito estômago para aturarem gente mal formada que ainda não percebeu que as pistolinhas de esguicho são só para o Carnaval e que os filmes de telemóvel são uma espada de dois gumes que acaba por se virar contra quem filma!

Beijinhos e desculpem lá o desabafo, mas às vezes tem mesmo que ser que os blogs também são para estas coisas!

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6 Comentários

  • January 4, 2009 | Permalink | Reply

    Bem menina, tiveste um ano e pêras. Muitas pessoas não sabem dar valor a nada, muito menos a pessoas que se esforçam para levar uma vida minimamente digna e com qualidade. Vais ver que este ano vai correr melhor.

    Um grande beijinho.
    Bom ano.

  • January 5, 2009 | Permalink | Reply

    Pois é, eu sou mais uma ex-professora a trabalhar num centro comercial. Não estou feliz da vida mas estou bem melhor que na escola. Compreendo-te. Muito bem. De falsos amigos também já tive a minha dose. E hei-de ter mais, sinal de que estou viva. Tu também. Darei sempre a volta por cima. Tu também. Um bom ano de 2009.

  • January 5, 2009 | Permalink | Reply

    Minha querida! Senti sua falta! Sabia que eu estava preocupada com voce? Perdi seu email, e nao achava como me comunicar. Espero que tudo isso seja passado, e que voce comece o ano com o peh direito, viu? Com tudo de bom e maravilhoso, com saude e tudo de bom!
    Que sua familia esteja bem!
    Um beijo minha querida! Tudo de bom!
    MARY

  • Ricardo Rayol
    January 6, 2009 | Permalink | Reply

    Minha querida doutora, dê um tempo, respire, a vida é sempre cehia de obstáculos e somente com a cabeça tranquila consgeuimos enfrentállos (piegas ?0. Blog não é obrigação, a não ser que dê muito dinheiro.

    saúde pra vc

  • January 11, 2009 | Permalink | Reply

    Olá…como entendo teu drama,muito mesmo. Também sou professora e sei bem as pressãos que sofremos. Beijinhos e um ano mais tranquilo em 2009.

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