Inveja
De Daniela Mann on Set 19, 2006 in Comportamentos
Ainda não há muito tempo, vi numa dessas novelas portuguesas de horário nobre, uma cena que me fez reflectir numa postura comportamental, (não sei se muito portuguesa, se muito humana), que me era completamente indiferente e ultimamente me tem chamado bastante a atenção.
A cena foi a seguinte: Um actor cujo papel retrata o perfil da maioria das pessoas, ou seja, classe média, dono de uma pequena empresa pouco lucrativa, por motivos que agora não interessam teve que se dirigir a casa do patrão da esposa, “para lhe dizer umas verdades!”.
Quando lá chegou, deu de caras com uma mansão, decorada com obras riquíssimas, rodeada por um jardim imenso e o seu primeiro pensamento, (que fez questão de verbalizar), foi este: “Agora entendo porque é que este tipo não respeita os pobres, quem vive assim não se importa com nada e nem se lembra que existe mais gente no mundo! Não sabem dar valor às dificuldades e ao sofrimento…”, blá, blá, blá!
Em primeiro lugar, este homem não sabe se outro algum dia foi pobre e até mais pobre que ele!
Em segundo lugar, mesmo que tenha nascido rico, todos sabemos que é preciso inteligência, trabalho e sabedoria para manter uma boa gestão financeira do património familiar, seja ele grande ou pequeno.
Muitos herdeiros de grandes fortunas destruíram tudo o que os seus antecessores lhes deixaram, por falta de sabedoria e sobretudo preguiça. Deram a riqueza por garantida e acabaram por perder tudo.
Por último e é aqui que quero sublinhar a minha reflexão, porque é que o primeiro pensamento deste homem não foi: “Um dia também vou conseguir proporcionar este conforto à minha família!”?
Mesmo que o milionário fosse um grande vigarista, o seu património poderia ter sido uma inspiração para este homem de classe média! Existem vários factores que impedem as pessoas de evoluírem nas suas carreira e um dos mais fortes é sem dúvida a inveja.
A inveja, tal como o rancor, é um foco emocional que desvia a nossa atenção do que realmente interessa e nos impede de sermos produtivos.
A casa nova do patrão, os sapatos novos da vizinha, as jóias da prima direita, podem ser encaradas como fontes de inspiração que vão activar a nossa criatividade, no sentido de começarmos a desenvolver aquela ideia adormecida de abrir um negócio, escrever um livro, iniciar um plano de poupança, etc.
A energia gasta a amaldiçoar aqueles que têm e até a pôr em causa as estratégias que usaram para obterem os bens que possuem, seria muito mais bem empregue se fosse canalizada para pensamentos produtivos que nos podem encher de motivação em vez de inveja e frustração.
Que me interessa a mim se fulana casou por interesse, ou se fulano fez isto ou aquilo para ser o sócio maioritário? Se assim for, tanto pior para eles porque a verdade é como o azeite e acaba por vir sempre à tona e mesmo que não venha, a consciência, (ou a falta dela), também é deles!
A mim interessa-me saber como é que vou progredir e alcançar os bens que entendo merecer.
