Quando o tema do novo modelo de avaliação de professores começou a fazer manchetes de jornais e revistas, a opinião pública esfregou as mãos, como que a celebrar a cumprimento da máxima: “A vingança serve-se num prato frio.”
A opinião mais refinada chegou mesmo a afirmar que os professores seriam os inúteis mais bem pagos do paÃs.
Na sequência de alguns episódios menos felizes, como no daquele caso da professora de Espinho, houve até quem escrevesse pela blogoesfera, que era por estas e por outras que os professores não queriam ser avaliados, mas que agora é que iam ver “como elas mordem”!
Pois muito bem, eu, Daniela Mann, sujeitei-me à avaliação. Permiti que as minhas aulas fossem assistidas por uma coordenadora que me qualificou com nota máxima. Obtive a classificação de “Excelente” nas duas aulas assistidas. Apresentei portefólio que foi analisado pelos avaliadores do agrupamento. Foi elaborado um relatório final com base no meu desempenho. Nunca faltei, construà um site para a escola (não foi um blog, foi um site com o endereço do “rcts”), nunca neguei uma única substituição de colegas e, guess what? Tive como nota final: Muito Bom.
Estou feliz, para dizer a verdade nem percebi porque é que não tive excelente já que não houve aspectos negativos a apontar por nenhuma das partes (coordenadora e executivo do agrupamento). Talvez tivesse sido por causa das cotas, não percebi, mas também não me queixo. Ter “muito bom” é simplesmente muito bom.
No entanto, seria ainda melhor se o “muito bom” se traduzisse em estabilidade profissional, porque, o que a opinião pública não sabe, é que não obstante a avaliação final, a contratação/colocação continua a ser como era, ou seja, eu, “professora muito boa”, vou ter que deixar a escola no dia 31 de Agosto, por cessação de contrato e, se entretanto não conseguir uma colocação na segunda fase do concurso, ficarei desempregada por tempo incerto e sujeita a breves contratos (substituições) pelos próximos 4 anos!
Entretanto, um colega “bom, suficiente ou mesmo insuficiente” que esteja à minha frente na lista, ficará com o “meu lugar”.
Serve este artigo, não para catalogar os colegas que sei que se esforçam e dão o máximo, (até porque quem inventou os rótulos não fui eu), mas para mostrar ao paÃs que esta avaliação só serviu para causar mau ambiente nas nossas escolas, denegrir a nossa imagem e nunca foi para seleccionar os bons professores, no sentido de lhes oferecer mais estabilidade profissional.
Então sra. Ministra da Educação, o meu “Muito Bom” vai servir para alguma coisa, ou as minhas filhas vão continuar privadas da mãe e/ou sujeitas a saltitar de escola em escola (atrás de mim) por mais 4 anos?




























2 Comentários
Aqui a situação em escolas públicas está feia. Alunos agredindo fisicamente seus professores e são aplaudidos pelos colegas.
Uma vergonha
Boa semana
Este governo é vergonhoso! Como é que não te dão um lugar nessa escola depois de te avaliarem com uma classificação muito boa? É ridiculo!
Beijinhos