Olhem-me nos Olhos - O Post dos 86 Comentários
De Daniela Mann on Out 13, 2007 in Comportamentos
Este post também foi um dos mais comentados de 2006 estando no topo da tabela de preferências. A pedido de várias pessoas, aqui vai um dos textos mais populares deste blog:
Olhem-me nos Olhos!
Não há nada mais constrangedor que tentar manter uma conversa séria com alguém que nos olha fixamente para o peito, quando não é para os botões das calças! Uma pessoa fica desesperada a pensar se tem as cuecas à vista, ou alguma nódoa mais esquisita…
Se já é irritante conversar com alguém que olha para o tecto, para o chão, para as paredes, etc, então que dizer de quem “nos tira as medidas” com o olhar? É horrível! Uma pessoa sente-se despida, invadida, com vontade de fugir dali para fora.
As pessoas medem-se, é um facto! Ainda me lembro das conversas nos balneários da natação e da ginástica, onde ninguém se “olhava nos olhos”! Falávamos da escola, dos amigos, de música, dos namorados, dos pais e lá entre o champô e o amaciador olhavamo-nos de alto a baixo, com uma inocência descarada e estupidamente convencidas que as outras não tinham reparado! Não creio que estes olhares tivessem algum cariz sexual, eram pura contemplação comparativa, como quem pensa/diz: “Afinal tens celulite!”. Agora, na idade adulta, as “medições” continuam! Umas por distracção, outras por comparação e outras são mesmo por atracção, mas todas causam aflição, principalmente se estamos a falar com o caixa do banco, com um senhor que nos pergunta as horas, (parecendo querer encontrar uns ponteiros algures entre os nossos seios), com o primo do Canadá, ou até um colega de trabalho…
O pior de tudo, é quando nos damos conta que estamos a fazer a mesma figura, que sem querer olhámos para onde não devíamos, ai sim, ficamos com aquela sensação horrorosa de na vida não podermos carregar no rewind e pôr “o filme” a andar para trás! Como a conversa tem que prosseguir, com a seriedade que deve ter, fingimos que não percebemos que nos apercebemos, que os nossos olhos estavam a olhar fixamente para as partes mais íntimas da pessoa que está à nossa frente e se for tão óbvio ao ponto de se tornar impossível ignorar a gaffe, lá comentamos com o ar mais ingénuo do mundo: “Tens um cinto tão bonito, onde compraste?”. O outro(a) finge que acredita, diz qualquer coisa a respeito do cinto e a conversa continua com a normalidade socialmente correcta, apesar da atmosfera pesada e do batimento cardíaco acelerado, que grita ao compasso do pensamento: “Tu e eu bem sabemos que esta do cinto foi a primeira trampa que te lembraste!”
