Professores Contratados - A Saga
De Daniela Mann on Jul 30, 2008 in Educação

Tive um contrato de 7h semanais, para leccionar a disciplina “Linguagem e Comunicação”, num curso EFA de horário nocturno. Entretanto, na mesma escola, surgiu uma oferta de 15h para o meu grupo. Candidatei-me, ganhei, mas não pude ficar com o horário porque há muito pouco tempo saiu uma Lei que não permite ter dois contratos na mesma escola. Dias mais tarde, abre a concurso um outro horário de 14h a 130km de onde vivo, ganhei-o e aceitei-o, que remédio! Saia de casa às 6h da manhã, viajava 130km, leccionava, voltava e parava a meio caminho para dar o curso EFA, chegava a casa às 11h da noite. Agora pergunto:
- Já que o Estado Português me impediu de aceitar um contrato que me ficava bastante mais perto de casa e me obrigou a ir para uma escola tão distante, não deveria receber um subsídio de transporte? Sim porque ou aceitava ou ficava sem trabalho.
- De acordo com as secretarias, só tem direito a subsídio de alimentação quem trabalha de manhã e depois de almoço. Era o meu caso, mas como numa escola trabalhava de manhã e na outra é que trabalhava à noite, na maioria dos dias não recebia subsidio de alimentação e passo a citar: “porque cada contrato é independente”, mas na verdade eu trabalhava o dia inteiro para o mesmo patrão, ou não é?
- Há no entanto uma excepção que leva as senhoras da secretaria a acharem que os contratos de vez em quando, até nem são independentes e é quando as escolas nos têm que pagar as horas de amamentação a que temos direito. Numa escola tinha direito a 4h de amamentação, mas como o Executivo não quis abrir concurso para colocar alguém só por quatro horas, alegou que não sabia como me pagar. Trabalhei, tenho uma bebé com 6 meses e nem gozei as horas de amamentação previstas na Lei, nem as recebi, porque, ou uma coisa ou outra. Isto porque 14h +4 dava um contrato de 18h e como já tinha um de 7h noutra escola, ultrapassava as 22h. Ora bem, se é para juntar contratos, eu devia receber subsidio de alimentação por trabalhar o dia todo, se são independentes, a escola devia ter assumido pagar-me as tais 4h por não ter querido colocar alguém para me substituir, certo?
Concluindo, gastei uma fortuna em gasolina e portagens, desgaste do carro, nervos… não recebi, nem gozei horas de amamentação, não recebi qualquer ajuda para a deslocação (260km por dia), muitos dias não recebi subsídio de alimentação tendo estado a trabalhar o dia todo. Neste momento aguardo pelas listas. Não sei para onde vou trabalhar no próximo ano lectivo, não sei qual vai ser o meu horário e nem quanto vou ganhar. Tenho duas bebés.
Só não sei como é que há gente que ainda pondera imigrar para Portugal! E a minha menina de 4 anos já sabe, se algum dia quiser ser professora a mamã não paga o curso! lol
