Quem Foi?
De Daniela Mann on Mar 24, 2006 in Comportamentos
Quem Foi?
De repente começa a sentir na pele a velha máxima do, “estou só no meio da multidão”. Os amigos deixaram de o ser, o marido, ou a esposa, seguiram o exemplo dos “amigos”, o dinheiro não quer nada consigo, os filhos andam por ai a fingir que que são órfãos, ou então são os colegas de trabalho que implicam a cada espirro que dá! E quando o ser humano implica com alguém, até uma anedota que essa pessoa conte mete nervos! É tão interessante observar como acabamos sempre por acreditar que somos aquilo que os outros pensam de nós! Por muito que digamos que somos sérios e honestos, se aos olhos das outras pessoas formos uns mentirosos, depravados e idiotas, a certa altura, passamos a viver com o estigma do, “vou provar-lhes o contrário”! Mas o pior é quando desistimos deste estigma, porque essa atitude traduz a frustração de alguém que deixou de acreditar em si próprio! Por muito que alguém diga que não se importa com o que os outros pensam de si, isso só é verdade até certo ponto, na medida em que as pessoas têm uma necessidade natural de se sentirem amadas, uma sede de amor tal, como um peixe precisa de água para viver! É importante que o marido, a esposa, os filhos, os amigos, o patrão,etc, demonstrem que gostam de nós, que simpatizam connosco, que estão orgulhosos e felizes por fazermos parte das suas vidas! A opinião das outras pessoas mexe sempre connosco, principalmente aquelas a quem estamos ligados por laços afectivos! A quebra de um laço é sempre dolorosa, mas a ausência total de afecto, é como uma caminhada solitária no deserto.
Porque é que é tão difícil acreditar num elogio? E no entanto, é tão fácil aceitar e interiorizar de imediato uma critica ou uma ofensa! Até podemos responder à letra e não trazer o desaforo para casa, mas volta e meia aquelas palavras que estão lá, gravadíssimas nos nossos cérebros e corações, gritam-nos alta voz, nos momentos mais inesperados e inapropriados! Elas estão lá, como amarras que nos impedem de concretizar sonhos, de agarrar a segunda chance, até de contar uma anedota! - “Ninguém vai rir, ninguém vai rir, és o idiota da festa…”
Não deve ser assim! Dentro de nós, sabemos muito bem quando a crítica alheia foi dita com amor ou com maldade. Um dia ouvi uma frase muito interessante: “A melhor maneira de sabermos se alguém é verdadeiramente nosso amigo, é vendo se nos sentimos bem, ou mal quando saímos do pé dessa pessoa!”
Somos o que somos e não a imagem que alguém quer transmitir a nosso respeito! Nem pelo bem, nem pelo mal! As modelos e as actrizes, não são assim tão perfeitas! Bonitas sim, mas não há pele sem uma pintinha que seja, não existe, é maquilhagem! É uma imagem criada! Do mesmo modo, essas pessoas poderiam ter tido um percurso diferente e hoje, exactamente com a mesma cara e o mesmo corpo, serem totalmente indesejáveis, por causa de alguém se ter lembrado de as projectar através de uma imagem negativa. Talvez por inveja, medo, insegurança ou ciúmes, fazerem correr que aquela moça é toxicodependente, ou que é louca, ou que aquele outro rapaz já foi despedido por roubo… enfim, as histórias mais mirabolantes! O mais incrível é que as pessoas acreditam em tudo à primeira! Tanto quem ouve, como nós próprios, que mesmo tomando conhecimento das mentiras e difamações ditas a nosso respeito, vamos moer-nos com a pena que sentimos de nós! Quando pior é impossível, é porque só pode melhorar!
Analise a imagem que tem de si e porquê! Quando se encontrar, não há quem o faça perder! Talvez tenha perdido muito, por andar a ouvir as vozes erradas, que agem como os espelhos de feira que dia após dia distorcem a sua imagem e o levam a agir a quente! Pessoas magoadas tendem a magoar outras! Mas assim que se abstrair de construções alheias e olhar para as suas verdadeiras motivações e até para os erros cometidos pensando, na altura, que aquela era a melhor opção, verá que aprendeu muito, que a sua vida é muito rica, que quando nos batem à porta perguntamos: “Quem é?” E nunca, mas nunca: “Quem foi?” e que os nossos melhores dias, estão sem dúvida à nossa frente!
